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Nossa História

Gostaria de te apresentar meu Projeto que Salva Vidas, mas para isso tenho que contar como tudo começou e lembrar de um sonho de infância. Sou filha única e me criei na antiga e extinta classe média! Meus pais tinham uma empresa no ramo da construção civil, indústria e mão-de-obra em gesso. Vamos um pouquinho antes disso, aos meus 7 anos, mais ou menos.

Meu vizinho tinha uns gatos que pulavam o muro e iam para minha casa. A Leidi tornou-se minha melhor amiga e os irmãos dela vieram agregar a família. Foi uma luta para que meus vizinhos aceitassem que eles me escolheram para fazer parte daquela família. Mas também, eu os escondia em minha cama. Confesso que jogava sujo...

Ali começou meu amor pelos animais. Lembro que no inverno ficava fazendo cabaninhas para que se aquecessem, com roupas e caixas de papelão. Até então eram eles que precisavam de mim. Desde então, abriu-se uma porta para um zoológico em casa: tínhamos hamster, porquinho da índia, alimentava até as borboletas...

Ganhei uma Lassie que se tornou outra melhor amiga. Em seguida meu pai encontrou um coelhinho na rua e assim a casa ia se tornando um sonho. Viver rodeada desses anjos era o que eu queria para o resto de minha vida!

Vladete

Minha vida realmente mudou aos 10 anos de idade, quando voltava da escola e encontrei um par de olhos que jamais esquecerei. A Xuxa, que era um pedaço inocente de cachorrinha com mais pulga e carrapato que qualquer coisa, me olhou e percebeu que eu precisava dela. Sim, salvando a sua vida estava de certa forma concretizando o que queria fazer quando crescer: salvar vidas do abandono e do sofrimento! Ainda tentei encontrar seu dono, pois na época jamais acreditei que poderia haver ser humano capaz de abandonar um anjinho de patas sem qualquer chance de sobreviver. Não encontrei ninguém que dissesse que havia perdido aquela inocente criaturinha. Levei para casa e a mantive sob sigilo, mas logo minha preciosidade foi descoberta. Meus pais no início reclamavam um pouco, mas depois cediam à minha vontade.

Meus olhos começaram a entender a necessidade de fazer algo por estes que não tem chance alguma de sobreviver sem ajuda. Desde a Xuxa, vieram um, e mais um, e mais dez e mais 100 e, hoje, com orgulho te conto que minha família peluda é de aproximadamente 300 cães, 40 gatos, 2 coelhos, 2 éguas e 8 patos.

Vladete

Para tudo isso ter virado um projeto que cuida dos animais de forma responsável, com amor e dedicação, foi preciso muito desprendimento de algumas coisas que fazíamos e hoje não podemos mais, como, por exemplo, dormir uma noite tranqüila, passear um dia inteiro ou tirar férias.

Em 2003, a empresa dos meus pais faliu totalmente e nessa época já contávamos com aproximadamente 50 cães, um punhadinho de gatos e 1 égua. O que fazer em uma situação de crise? Vendemos tudo que podíamos de bens materiais, terrenos, carros, caminhão. Devíamos muito e o que não vendemos ficou penhorado pela justiça. O que, graças a Deus, se livrou, é o sítio em que vivemos com nossos amados. Chegamos a ir a um abrigo pensando que o melhor mesmo seria deixá-los. Ah! Deixar uma vida para trás, um pedaço da nossa alma... Não conseguimos abandoná-los! Chegamos ao ponto de não ter comida para eles por dois dias. Foi um passo para a loucura. Já não tínhamos mais crédito em agropecuária e minha mãe dizia que faria uma comida com veneno e comeríamos com eles... Quando minha mãe desaba a situação é preocupante, pois é a pessoa mais centrada da família.

Fui para a Internet e entrava em chats contando nossa história com a esperança de encontrar um anjo humano que nos ajudasse com um saco de ração. Eis que a anja apareceu, e o seu nome não poderia ser diferente: Angélica acreditou em mim e doou R$ 30,00 para a compra da ração. Não tínhamos nem como ir buscar a doação, mas meu pai pegou uma moto emprestada e lá fomos com toda a esperança do mundo. Desde então nunca mais tive medo de faltar à alimentação deles. Não parei mais de divulgar nosso projeto!

Encontrei duas pessoas que são da Proteção aqui de Porto Alegre e eles vieram conhecer o sítio. Começava aí o projeto que temos hoje. A Rejane e o Daniel, da Duas Mãos Quatro Patas, ficaram encantados com nossa dedicação aos nossos frágeis irmãos. Começaram a abrigar animais aqui no sítio e pelo nosso trabalho de cuidá-los pagavam mensalidade a cada animal hospedado. Viramos uma casa de passagem dos animais recolhidos pela Duas Mãos Quatro Patas.ZH - Matéria 2004

Em 2004, foi publicada uma reportagem em um jornal de grande circulação no Rio Grande do Sul, Zero Hora - Caderno Patrola, e desde esta época ficamos conhecidos como 101 Viralatas. Muitas ajudas começaram a vir. Anjos humanos vinham diariamente doar ração, medicamentos, verba para construção de canis. As hospedagens aumentavam e assim começamos a nos estruturar.

Hoje não posso dizer que falte comida e tratamento aos nossos mais de 300 animais, mas a luta é imensa! Temos que ter R$ 10.000,00 mensais para sustentar todo este projeto. Vivemos para eles, sempre pensando em melhorias de canis, gatis, tratamentos, etc. Estamos sempre devendo na distribuidora de ração, pois vão 150 kg de ração diariamente somente para cães adultos. Temos que pagar 3 funcionários, mão-de-obra para construção de mais canis... Enfim, o que peço é ajuda para organizar o sítio para recebermos mais animais hospedados e pagantes, para sustentar os que hoje abandonam diariamente em nosso portão. Precisamos de maior divulgação, para as pessoas ajudarem com doações, organizar um grupo de pessoas dispostas a divulgar, conseguir donativos, vender produtos do Projeto, camisetas, canetas, adesivos; empresas que queiram ser parceiras nessa luta.

Moramos em uma casa de compensado. O caminhão do meu pai, que serve para buscar casinhas que uma Empresa de Transporte nos doa, por exemplo, está sem manutenção e caindo aos pedaços. A prioridade é mesmo a construção de mais canis, estrutura de isolamento, uma peça para os que precisam de tratamento, infraestrutura que suporte tantos animais, enfim.

Sei que temos condições de salvar ainda mais vidas de patas, encontrar bons lares para eles e acabar com muito sofrimento dos que vagam pelas ruas pedindo apenas a chance de viver sem essa dor. Para isso, falta estrutura a esta organização, pois estou sozinha nessa parte.

Com a tua ajuda tenho a certeza que esse projeto tem tudo para dar cada vez mais certo! Estamos aguardando ansiosos a sua chegada. Uma dica! Não venha de roupa branca para não ter o registro das patas em agradecimento! Nossos anjos de patas adoram fazer afagos... Agradeço desde já sua atenção!

Aline, Cachorrada e Gataiada...

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